Rio Fashion Week em pauta no Rotary
- rotarynileste

- há 18 horas
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Em uma reunião marcada por repertório, sensibilidade e leitura de comportamento, o Rotary Club de Nova Iguaçu – Leste recebeu uma apresentação conduzida por sua associada Dilcéia Pimentel, empresária à frente da Bella Filo Roupas, que compartilhou com os presentes sua vivência no Rio Fashion Week e trouxe uma reflexão ampla sobre moda, identidade, comunicação e desenvolvimento local.
A palestra foi além da observação estética. Dilcéia conduziu os associados por uma leitura mais profunda sobre o papel da roupa na construção da imagem pessoal, mostrando que moda não se limita ao que se veste. Ela comunica valores, personalidade, pertencimento, intenção e até mesmo a forma como uma pessoa deseja se posicionar diante do mundo.
Ao abordar a relação entre moda e identidade, a empresária destacou como o vestir carrega sinais culturais, afetivos e sociais. Cada escolha: uma cor, um tecido, um corte, uma combinação ou a ausência de uma marca visível pode revelar muito sobre comportamento, fase de vida, estilo pessoal e contexto social.
A moda como comunicação silenciosa
Um dos pontos centrais da apresentação foi a compreensão da moda como uma linguagem não verbal. Antes mesmo da fala, a imagem comunica. A roupa pode transmitir segurança, leveza, sofisticação, criatividade, discrição, autoridade ou informalidade.
Dilcéia apresentou exemplos de como determinadas tendências refletem movimentos culturais mais amplos. Entre elas, citou a popularização do estilo Old Money, associado a uma estética clássica, sóbria e elegante, e o crescimento do chamado Quiet Luxury, também conhecido como Luxo Silencioso ou No Brand.
Esse estilo valoriza a sofisticação discreta, o design atemporal, os tecidos de qualidade como: linho, cashmere e alfaiataria bem construída e uma elegância menos apoiada na exposição de logotipos. Em contraste com a chamada “logomania”, o Quiet Luxury representa uma escolha estética mais reservada, em que o refinamento aparece nos detalhes, não na ostentação.
A reflexão foi especialmente interessante por mostrar que a moda acompanha mudanças de comportamento. Em determinados momentos, o consumo se comunica pelo excesso. Em outros, pela discrição. Em ambos os casos, há uma mensagem social sendo transmitida.
A rua como espaço de liberdade e inclusão
A partir de sua experiência no Rio Fashion Week, Dilcéia também comentou como a moda das ruas se tornou mais plural, permissiva e inclusiva nos últimos anos. A ideia de uma moda rígida, ditada apenas por passarelas ou grandes marcas, vem cedendo espaço para uma expressão mais livre, em que diferentes corpos, estilos, idades e referências culturais passam a ocupar o centro da cena.
Essa transformação é importante porque reposiciona a moda como um campo de identidade, e não apenas de tendência. A roupa passa a ser entendida como uma forma de expressão pessoal, permitindo que cada indivíduo componha sua imagem a partir de suas referências, vivências e escolhas.
A apresentação também trouxe referências à mulher carioca e às características de seu vestir: uma combinação de leveza, naturalidade, criatividade, sensualidade moderada, praticidade e liberdade. O estilo carioca, nesse sentido, não se prende apenas à ideia de praia ou informalidade. Ele reflete uma maneira própria de ocupar a cidade, de circular entre ambientes e de traduzir personalidade com espontaneidade.
Marcas brasileiras e leitura de mercado
Durante a palestra, Dilcéia também citou movimentos relevantes da moda brasileira, incluindo a expansão de marcas como a Farm no exterior. O exemplo ajudou a ilustrar como elementos da cultura brasileira cores, estampas, tropicalidade, leveza e identidade visual própria, podem alcançar outros mercados quando são trabalhados com consistência, diferenciação e autenticidade.
Essa leitura aproxima moda e comunicação de maneira bastante clara. Uma marca de moda não vende apenas peças. Ela comunica uma visão de mundo, um repertório cultural, um estilo de vida e uma promessa simbólica. O mesmo acontece com o consumidor: ao escolher uma roupa, ele também participa dessa construção de sentido.
Nova Iguaçu, moda e economia local

Outro ponto relevante da apresentação foi a reflexão sobre a indústria da moda em Nova Iguaçu e sua contribuição para a economia local. O setor movimenta empreendedores, lojistas, fornecedores, profissionais de comunicação, vitrines, costureiras, representantes, consumidores e pequenos negócios que ajudam a formar uma cadeia econômica viva e importante para a região.
Ao trazer esse tema para uma reunião rotária, Dilcéia reforçou a importância dos Serviços Profissionais, uma das bases da atuação do Rotary. Quando um associado compartilha seu conhecimento, sua trajetória e sua leitura de mercado, ele amplia o repertório do clube e fortalece a troca entre profissionais de diferentes áreas.
A moda, nesse contexto, deixa de ser vista como um assunto restrito ao consumo e passa a ser compreendida como parte da cultura, da economia, da comunicação e da identidade de uma comunidade.
Conhecimento que amplia olhares
A apresentação de Dilcéia Pimentel mostrou que a moda pode ser uma chave de leitura para entender comportamento, pertencimento, mercado e sociedade. Sua fala trouxe conteúdo, experiência prática e sensibilidade para observar como as pessoas se expressam por meio da aparência e como esse universo influencia negócios, marcas e relações sociais.
Para o Rotary Club de Nova Iguaçu – Leste, encontros como este reafirmam a riqueza da convivência entre profissionais de diferentes trajetórias. Cada associado traz consigo uma história, um campo de atuação e uma forma particular de contribuir com o clube.
E quando esse conhecimento é compartilhado, ele deixa de ser apenas experiência individual. Torna-se aprendizado coletivo.
No Rotary, servir também é isso: colocar saberes em circulação, valorizar profissões, fortalecer vínculos e ampliar a compreensão sobre o mundo que nos cerca.
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