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Ação de meio ambiente. Quando uma pequena luz nos lembra de cuidar

  • Foto do escritor: Rotaract Club de Nova Iguaçu-Leste
    Rotaract Club de Nova Iguaçu-Leste
  • há 4 dias
  • 5 min de leitura
um vagalume aceso em meio ambiente

Neste artigo queremos te ajudar a acordar suas as suas memórias.

Quem cresceu perto de quintais, ruas arborizadas, sítios, terrenos com mato, noites menos iluminadas e tardes de brincadeira talvez se lembre de ter visto, em algum momento da vida, um vaga-lume atravessando a escuridão como se carregasse dentro de si uma pequena notícia da natureza. Não fazia barulho. Não pedia atenção. Apenas brilhava.


É a partir dessa imagem delicada, quase íntima, que o Rotaract Club de Nova Iguaçu-Leste, em parceria com o Rotary Club de Nova Iguaçu-Leste e o Instituto IPÊ do Iguassú, realizará a ação ambiental A Mensagem do Vaga-lume, uma experiência de memória e cuidado voltada para crianças, jovens, adultos e famílias.


A primeira edição acontecerá nos dias 25 e 26 de julho de 2026, no Sítio Catavento, em Tinguá, durante o Campeonato de Quadrilha em Festa Junina. A segunda edição já está prevista para os dias 07, 08 e 09 de agosto de 2026, no Arraiá da Ajuda, também em Nova Iguaçu. A proposta integra a área de enfoque Meio Ambiente, reconhecida pelo Rotary como uma das causas prioritárias de atuação, e nasce com uma intenção clara: provocar uma reflexão acessível, afetiva e concreta sobre como os nossos hábitos diários podem reduzir ou ampliar impactos sobre a fauna, a flora e a vida ao nosso redor.


Nesta edição, escolhemos o vaga-lume como símbolo porque ele comunica muito sem precisar explicar demais. Ele fala de infância, de noite, de silêncio, de pequenos encantamentos e também de desaparecimentos que nem sempre percebemos no momento em que acontecem. A ficha técnica da ação o define como essa luz pequena, delicada e muitas vezes esquecida da natureza, capaz de nos fazer pensar sobre os pequenos sinais de vida que ainda existem perto de nós.


Nosso stand foi pensado como uma experiência.


Entre bambus, folhagens naturais, luzes quentes e pequenos vaga-lumes confeccionados manualmente em papel kraft, papel preto e LED, os visitantes encontrarão tags com perguntas poéticas. Cada pessoa poderá escolher um vaga-lume, ler sua mensagem e responder, se desejar, à pergunta: “Qual foi a mensagem que esse vaga-lume acendeu em você?”


A resposta poderá vir de muitas formas: em conversa com nossa equipe, em depoimento gravado com autorização, ou pelas próprias redes sociais do visitante, marcando os perfis da ação e das instituições parceiras: @rotaryclubnovaiguaculeste , @rotaractnileste e @institutoipeiguassu. A ideia é que a fala da comunidade não seja apenas um registro bonito, mas uma narrativa viva sobre memória, território e pertencimento.


Para as crianças, a ação terá uma oficina de fantoches de papel e figuras temáticas para colorir e levar para casa. Os desenhos trarão dicas simples e diretas, como apagar luzes desnecessárias, não jogar lixo na rua, não alimentar animais silvestres, plantar flores, cuidar das árvores, observar os bichos sem prender e lembrar que vaga-lume precisa de noite. Assim, a experiência não termina no stand. Ela pode chegar em casa pelas mãos da criança, pelo desenho pintado, pelo fantoche montado, pela conversa que nasce depois.

Durante a ação, também exibiremos na TV do stand um vídeo curto sobre o comportamento dos vaga-lumes na natureza, ajudando o público a compreender que sua luz não é apenas beleza: é linguagem, encontro e sobrevivência. É por meio desse brilho delicado que muitos vaga-lumes se comunicam, se reconhecem e seguem seu ciclo reprodutivo, que depende de ambientes úmidos, com boa presença de água, vegetação e menor interferência artificial. Por isso, lugares onde vaga-lumes ainda aparecem costumam ser percebidos como ambientes mais equilibrados, capazes de sustentar pequenos ciclos de vida que muitas vezes passam despercebidos.

Também escolhemos fazer da própria decoração uma extensão da mensagem. Elementos de fauna e flora serão produzidos em papel kraft, tinta guache e tinta aquarelável, compondo um ambiente artesanal, simples, acolhedor e coerente com aquilo que estamos defendendo. Queremos mostrar que criatividade, cuidado e baixo impacto podem caminhar juntos.


Há um cuidado importante nessa construção: a ação não quer culpar o visitante. Quer convidar.


Muitos discursos ambientais chegam carregados de urgência, medo ou cobrança, escolhemos um caminho que começa pela lembrança. Antes de dizer o que precisa ser feito, queremos perguntar o que ainda vive na memória de cada pessoa. Que canto de passarinho marcou uma manhã? Que árvore guardou sombra em algum momento da vida? Acreditamos que a consciência ambiental se fortalece quando deixa de ser uma obrigação distante e passa a ser uma relação pessoal com aquilo que nos cerca.


Em Nova Iguaçu, especialmente em regiões próximas a áreas verdes, matas, quintais, rios, sítios, praças e espaços de transição urbana, a natureza não está longe.


Por isso, A Mensagem do Vaga-lume foi pensada como uma ação de sensibilização, mas também como uma experiência de escuta. Queremos ouvir o que a comunidade lembra, sente, percebe e deseja proteger. Queremos observar quais perguntas geram mais emoção, quais dúvidas aparecem com mais frequência, quais temas mobilizam crianças e adultos, e quais caminhos podem nascer a partir desse encontro.


Para nós, da "Família Leste", essa ação também representa uma forma de ocupar os espaços públicos e comunitários com propósito. Estamos em uma festa junina, em meio à música, às famílias, às quadrilhas, às crianças, aos encontros e aos afetos. E talvez seja justamente aí que a pauta ambiental precise estar: não isolada em uma sala técnica, mas no meio da vida, onde as pessoas circulam, lembram, conversam e se reconhecem.


A parceria com o Rotary Club de Nova Iguaçu-Leste e com o Instituto IPÊ do Iguassú fortalece esse caminho. Cada instituição traz uma parte essencial: o compromisso rotário com a comunidade, a energia jovem do Rotaract, o olhar ambiental do Instituto e a disposição coletiva de transformar uma ideia em presença concreta.


No fundo, talvez seja isso que um vaga-lume nos ensine: nenhuma luz pequena é inútil quando encontra espaço para brilhar.


Que esta primeira edição, no Sítio Catavento, seja o início de uma série de encontros em que a natureza seja lembrada não como algo distante, mas como parte do nosso cotidiano. Que cada criança leve para casa um desenho, um fantoche ou uma pergunta. Que cada adulto encontre, entre as folhagens, uma memória esquecida. Que cada depoimento acenda uma conversa. Que cada pequena ação nos lembre de que cuidar também é reparar.


A natureza não precisa apenas de grandes discursos. Ela também precisa de gente que volte a perceber.


Leitura complementar: Os vagalumes

meio ambiente repleto de vagalumes

Na natureza, seu brilho não é apenas encanto; é forma de comunicação, encontro e reprodução. Os vaga-lumes dependem de ambientes úmidos, com presença de água, vegetação e noite preservada para completar seu ciclo de vida. Por isso, quando aparecem, costumam nos lembrar de espaços mais equilibrados, onde a vida ainda encontra condições para seguir. Eles também integram a cadeia alimentar, servindo de alimento para diferentes animais da floresta. Mas é sua luz, tão pequena e tão expressiva, que mais nos toca. Quando o excesso de iluminação artificial silencia essa comunicação, entendemos que cuidar do meio ambiente também é aprender a reduzir interferências, respeitar os ciclos naturais e proteger os sinais discretos da vida ao nosso redor.  E talvez exista aqui um paralelo importante com a nossa própria vida: quando deixamos que o excesso de consumo, descarte, pressa, descuido e indiferença ocupe todos os espaços, também apagamos sinais essenciais ao equilíbrio da nossa própria natureza. Proteger o meio ambiente começa quando aprendemos a reduzir aquilo que interfere na vida ao nosso redor, permitindo que cada espécie continue cumprindo seu papel no grande tecido vivo do planeta.


E, às vezes, tudo começa com uma pequena luz.


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